
Não pessoalmente, mas através da sua obra....
2002/2011 - 9 anos de notícias e opinião sobre Ponte de Lima e o Alto Minho - mais de 2000 artigos publicados

Ficha Técnica do Festival Credial
Promotor | Elec3city
Datas do Festival | 10, 11 e 12 de Agosto
Hora | 21h00
Local | Expolima, Ponte de Lima
Bilhetes | €10 (1dia) e €20 (3 dias)
Programa |
Sexta-Feira, 10 de Agosto
Sábado, 11 de Agosto
- Romana
- Quim Roscas e Zeca Estacionâncio
Domingo, 12 de Agosto
- Emanuel
- Toy
O recinto teve um início de vida algo atribulado. Diz-se que, inicialmente pensado para albergar a Feira do Gado, uma estrutura moderna que correspondesse às exigências comunitárias para este tipo de certames, esta assumiu uma forma multifacetada quando se verificou que o espaço era exagerado para os fins que se propunha e logo surgiu a ideia de ali instalar também um local para albergar algumas das iniciativas municipais, designadamente as feiras do livro, artesanato e dos petiscos que, até à construção do recinto, se realizavam na Avenida dos Plátanos.
Depois de concluída a infraestrutura, e agora que também está em funcionamento o recinto polivalente onde decorreram espectáculos de equitação, onde se vão realizar espectáculos musicais e onde decorrerá também uma tourada nas Feiras Novas, parece que todos os eventos e animação que se realizam em Ponte de Lima têm que, inevitavelmente, ser localizados na Expolima.
Não concordamos com esta opção.
Apesar das limitações do local, com uma estrutura em tudo igual às das boxes para animais, este ajusta-se a alguns eventos como as feiras de artesanato, a feira dos petiscos, pois garante melhores condições aos expositores e aos visitantes.
Mas passar de uma opção para espectáculos, certames e animação para a única opção para este tipo de realizações é exagerado e mesmo absurdo. Senão vejamos:
- A Expolima é um recinto de grandes dimensões, não se ajustando a eventos de características minimalistas;
- Trata-se de um recinto pouco envolvente e que não facilita a proximidade dos artistas com o público;
- Está afastado do centro da vila e das zonas mais frequentadas;
- O acesso ao mesmo é feito através de uma Alameda em más condições de conservação e com muito pouca luz;
- É também necessária animação no centro da vila, designadamente Largo de Camões, Avenida dos Plátanos, entre outros locais.
Assim, julgamos que a animação deve ser distribuída por diversas zonas da vila, tendo em atenção as suas especificidades e o público alvo das mesmas. Só assim se evitarão espectáculos com reduzida assistência, como alguns que temos vindo a presenciar durante a Feira do Livro, e a inadequação de outros ao espaço escolhido, como é o caso do festival Internacional de Folclore, embora este se tenha realizado em simultâneo com a Feira do Livro, sendo por isso legítimo que tenha decorrido na Expolima.
Amândio Pereira (CDS/PP): “Este trabalho peca por só ter ouvido os comerciantes (pois há os que vivem bem) e também por não ter contemplado os consumidores”; “Eles foram a tempo e horas favorecidos para se modernizarem e formarem uma central de compras”; “Estas conclusões mais parecem uma proposta eleitoral do que a defesa dos comerciantes”.
Ora, o que está em debate são os problemas do comércio e dos comerciantes. Ouvir os consumidores seria descontextualizar a questão, porque a dicotomia existiria sempre. Veja-se a posição claramente de consumidor do Sr. Amândio Pereira: o problema é dos comerciantes, queixam-se mas vivem bem, eles que resolvam o problema… Se os comerciantes fossem ouvidos sobre a instalação das médias e grandes superfícies, julgo que se oporiam, mas não foram e elas foram instaladas; se fossem ouvidos sobre a saída de serviços do centro histórico, com toda a certeza se oporiam, mas ninguém os questionou; se fossem ouvidos sobre o encerramento de ruas ou a retirada de espaços de estacionamento, ou mesmo a construção de grandes parques na periferia da vila, estou seguro que prefeririam estacionamento de proximidade e melhores acessibilidades aos seus espaços, mas não foram ouvidos.
Uma outra questão que é importante desmistificar e que, recorrentemente, é apontada como a solução de todos os problemas é a da “central de compras”, que não era mais do que uma média superfície de iniciativa local e não de uma multinacional. Como será fácil compreender essa média superfície poderia resolver o problema de uma minoria continuando a maioria tal como agora se encontra. No mercado actual, provavelmente já teria sido absorvida por um grande da distribuição. Acreditar que a “Central de Compras” resolveria os problemas dos 400 comerciantes da sede ou dos seiscentos de todo o concelho é o mesmo que acreditar no Pai Natal! No entanto ainda continua a ser um pseudo-argumento recorrentemente utilizado por aqueles que preferem olhar para o lado...
Minimizar os efeitos da crise e dos problemas do comércio não é fácil. Exigiria toda uma política, uma linha de pensamento, toda uma uma orientação estratégica. É essa a virtualidade das políticas integradas pois, quando é implementada uma medida para o desporto, são ponderadas todas as virtudes e inconvenientes para a globalidade das áreas de intervenção do poder. Esta sensibilidade tem faltado no município de Ponte de Lima e muitas medidas implementadas que, aparentemente, nada tinham a ver com o comércio, afectaram-no profundamente. Pense-se, por exemplo, nas consequências da deslocalização dos Serviços de Finanças das instalações actuais para a proximidade do Hospital. Serão tremendas para os espaços comerciais das suas imediações e para o Centro Comercial Rio Lima. E quem é o promotor imobiliário que pretende ver as Finanças num edifício seu: O Município de Ponte de Lima!
Daí a necessidade de um "programa de governo" para minimizar a crise com que se debate o comércio local, Sr. Amândio Pereira!
Outros posts sobre este assunto:
Nº 4
Nº 3
Nº 2
Nº 1
Será este o nosso modelo?
Mais alguns esclarecimentos e contra-argumentos, relativamente a afirmações proferidas na última Assembleia Municipal.
Manuel Pires Trigo (PS): “Não louvamos o conteúdo desconexo deste estudo, nem tão-pouco a sua forma, mas algum mérito terá”


A Assembleia Municipal de Ponte de Lima e o comércio limiano (3)
O trabalho da Comissão é o reflexo do sentir e da realidade dos comerciantes limianos. Se houver alguma pretensão de rebater com rigor aquelas conclusões, apresentem-se alguns comerciantes (podem ser poucos…) que afirmem e comprovem que o seu volume de negócios aumentou nos últimos dez ou vinte anos!
Vem logo à memória o velho ditado: “nunca digas nunca”…

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima e o comércio limiano (2)
Depois de, anos a fio, a promover a melhoria da qualidade de vida dos limianos, pela via das acessibilidades, infraestruturas sociais, espaços para o desporto e lazer, equipamentos e serviços públicos, uma área que no passado era “empurrada” para a órbita do poder central é, hoje em dia, fundamental para o desenvolvimento local e, por isso, deve merecer toda a atenção, empenho e meios por parte das autarquias que, nos últimos vinte anos, têm recebido e assumido cada vez mais e maiores competências da administração central. Falamos do desenvolvimento económico.
A captação de investimentos, a criação de emprego, a atracção de consumidores, a criação de motivos de interesse para que estes demandem as respectivas localidades, a dinamização do tecido empresarial local, a configuração das urbes como espaços de atracção, tanto ao nível patrimonial, cultural, desportivo, social ou comercial, insere-se claramente nas competências dos municípios.
Estes têm o dever de estar atentos, de sentir o pulsar das suas comunidades, de detectar problemas e de procurar encontrar soluções, em parceria com os agentes locais, designadamente os empresários.
Foi o que pretendeu a Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima. Perante um problema latente, que foi fruto de discussão ao longo dos últimos seis anos, depois de ter tentado junto dos agentes que o mesmo fosse devidamente avaliado, circunscrito e correctamente definido, avançou a Assembleia de Freguesia com a constituição de um grupo de trabalho para fazer algo que está na essência de qualquer democracia: ouvir a população, neste caso um sector específico que se está a debater com dificuldades: o comércio.
Ao efectuar um trabalho que, eventualmente, deveria ter sido realizado por outros agentes – mas não foi e parece que o não será, a Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima prestou um serviço público que se insere nas suas competências e que não deixará morrer, por muito que isso custe aqueles que preferem não ver e, por conseguinte, não agir.
A consequência lógica da Assembleia Municipal de 30 de Junho seria a aprovação de uma moção, que mantivesse viva a temática da problemática do comércio, que aprofundasse o conhecimento da mesma e que alargasse o conhecimento a todo o espaço do concelho, não se circunscrevendo à sua sede. Era este o teor da moção apresentada pelo Presidente da Junta de Freguesia de Ponte de Lima e subscrita pelo Partido Social Democrata, Partido Socialista e Coligação Democrática Unitária. O CDS/PP logo afirmou que não votaria a moção favoravelmente (logicamente iria inviabilizá-la tal a confortável maioria de que dispõe no órgão) porque a mesma tinha uma perspectiva localizada na vila de Ponte de Lima e não em todo o concelho “sendo atribuição da assembleia municipal zelar pelos interesses do concelho e não de uma freguesia apenas”. As aspas enquadram uma afirmação de um elemento da bancada do PP!
Como é óbvio, este argumento vinha estudado de casa e não teve em conta a moção que apontava precisamente no sentido contrário. Primeiro tiro no pé da impreparada maioria. O segundo foi o dos interesses concelhios que deve defender a Assembleia, ignorando os de uma freguesia ou os de um grupo particular, como referiu o presidente da Câmara. Ficamos então a saber que o problema do comércio de Ponte de Lima não preocupa a maioria CDS/PP porque é apenas de uma freguesia. Por analogia devemos concluir que quando apenas uma freguesia não tiver abastecimento de água, saneamento, escola para as suas crianças ou qualquer outro serviço público, que seja vitimada por uma catástrofe, tal não constitui preocupação dos responsáveis políticos locais do PP!
Uma outra questão merece a nossa reflexão: a atitude do presidente da mesa da Assembleia Municipal. Invocou a Lei e as competências da Assembleia Municipal para não admitir a moção. A mesma Lei (169/99 revista e republicada pela Lei 5-A/2002) que diz que “É competência da Assembleia Municipal deliberar sobre a constituição de delegações, comissões ou grupos de trabalho para estudo dos problemas relacionados com as atribuições próprias da autarquia, sem interferência no funcionamento e na actividade normal da câmara”. Nem uma vírgula da moção ultrapassava o teor e o espírito deste ponto!
Não havia justificação na Lei para não admitir a moção. Por isso, só podemos entender a atitude do presidente da mesa de uma forma: foi solícito e disponível para com a Assembleia de Freguesia ao ouvir a sua posição sobre a problemática do comércio em Ponte de Lima, estampada no relatório do grupo de trabalho. Aceitou, atitude em que foi respaldado pelos partidos políticos com assento na assembleia, a inclusão daquele ponto na ordem de trabalhos da reunião do dia 30 de Junho. Se o fez, entendeu as preocupações e associou-se a elas.
Ao tentar acabar com esta questão da forma abrupta como o fez cedeu, certamente, a pressões vindas do seu próprio partido ou mesmo do município que, visivelmente, não queria estas questões no topo da actualidade. Criando um problema às suas cores, foi forçado, rápida mas atabalhoadamente, a pôr-lhe cobro.
Foi pena!



