quinta-feira, janeiro 29, 2004

PORQUE NÃO ARCOZELO A VILA?
(continuação)

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima não vê vantagens em “tornar uma vila cidade e uma freguesia em vila”, não parecendo muito agradado com a ideia do grupo parlamentar do Partido Comunista, embora “não veja nela inconvenientes”. Será bom recordar que a vila de Ponte de Lima se negou a ser cidade, por entender que “mais vale ser uma vila de primeira do que uma cidade de segunda”, opinião emitida pelo Presidente da Câmara Municipal. Embora a opinião fosse emitida pelo representante do concelho e não da vila de Ponte de Lima, que seria o presidente da junta respectivo, trata-se evidentemente de uma decisão do foro emocional, que mais conteúdo não tinha do que o reforço do orgulho dos limianos, sobretudo no seu passado – a vila mais antiga de Portugal, de acordo com o slogan municipal, e na qualidade de uma vila que se distingue no meio de tantas outras, em detrimento de uma cidade que naturalmente se diluiria no meio de muitas outras com maior dimensão e projecção.
O que parece estar errado em todo este processo é a argumentação utilizada pelo Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, pois foi precisamente a mesma que eximiu para recusar a elevação de Ponte de Lima a cidade, quando as situações são diametralmente diferentes, tanto ao nível dos contextos, como das dimensões e da expressão da própria mudança. Quem defendeu Ponte de Lima como uma vila de primeira deve também, com a mesma força, em nome do orgulho das suas populações e dos próprios responsáveis políticos que concordam com a iniciativa, defender a elevação de Arcozelo, pela legitimidade do “outro lado do rio”, fortemente urbanizado e requalificado, a freguesia mais populosa do concelho com força económica e social que, com toda a certeza nunca será uma vila de segunda e poderá ajudar, senão mesmo forçar Ponte de Lima a ser ainda melhor. Embora as vantagens físicas ou materiais da elevação de Arcozelo a vila não existam de facto, existe um aspecto emocional que não pode nem deve ser descurado, e um desafio para a própria vila de Ponte de Lima que não deve ser minimizado.

terça-feira, janeiro 27, 2004

PORQUE NÃO ARCOZELO A VILA?

O grupo parlamentar do Partido Comunista apresentou na Assembleia da República um Projecto-Lei para elevação da freguesia de Arcozelo, do concelho de Ponte de Lima, a vila. A pretensão foi justificada por razões de ordem histórica, demográfica – Arcozelo conta já com 5200 habitantes sendo a freguesia mais populosa do concelho e a que mais alta taxa de crescimento teve no século passado, a sua pujante actividade económica, assente na indústria extractiva e transformadora de granitos e no comércio, e um conjunto alargado de equipamentos que dão resposta aos requisitos da Lei nº 11/82. No entanto, a principal razão que sustenta esta iniciativa e este velho anseio não dá resposta a requisitos legais. É com toda a certeza a aspiração da sua população a procurar mais e melhor, em encontrar na elevação a vila um estímulo, um factor motivacional que catapulte Arcozelo e os arcozelenses para um futuro mais próspero. Mais do que uma decisão política ou estratégica, esta é sobretudo uma decisão emocional que visa exaltar o orgulho e reforçar a auto-estima dos arcozelenses.
(CONTINUA)

segunda-feira, janeiro 26, 2004

A Direcção da Associação desportiva "Os Limianos" veio a terreiro afirmar que não existiram agressões ao árbitro do jogo Limianos-Melgacence, depois do relatório do árbitro ter afirmado o contrário. Mais polémica em cima da polémica já antes relatada e comentada neste espaço, mas que não deixa de pertinência e actualidade.
A revista BIKE, especializada em assuntos ligados ao BTT, publicou na sua edição de Janeiro uma ampla reportagem sobre a Descida ao Sarrabulho, organizada pelos Batotas - Clube de Desportos Radicais de Ponte de Lima e uma outra sobre o próprio clube. Aqui está uma boa forma de promoção de Ponte de Lima, das suas potencialidades naturais e dos seus produtos regionais. A não perder.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Os meios não justificam os fins!

Pelas piores razões, "Os Limianos" foram mais uma vez notícia. Não é nada benéfico para o orgulho limiano, nem para a tão desejada recuperação económica do clube, que surjam em toda a imprensa notícias de incidentes, agressões e danos causados em viaturas de árbitros associadas ao nosso clube. Por muito fortes que sejam as razões dos adeptos, dirigentes, equipa técnica e jogadores, por muito grande que seja a indignação e revolta, nada justifica que se chegue à agressão física para tentar ultrapassar ou dar visibilidade ao problema. Esta é a única via que nunca deverá ser utilizada. São maiores, muito maiores, os problemas que se criam do que as vias de resolução que se abrem.
O objectivo de "Os Limianos" é a recuperação económica do clube, a recuperação da imagem de um dos maiores clubes do distrito, a reconquista da confiança dos adeptos e do mundo do futebol, a formação de jogadores e aposta nos jovens limianos. Este é o objectivo e dele nunca o clube se deve afastar. os resultados desportivos, sempre importantes e valorizados, estão em segundo plano.
Tudos estes desígnios só podem ser alcançados com dignidade, fair-play, saber-estar e muita luta, perseverança e, sobretudo, paciência. Foi precisamente o que faltou e tudo o que se perdeu no passado domingo e noutra ocasião em que também houve incidentes, vai custar muito e levar muito tempo a reconquistar.
Que sirva de exemplo...

Minhonews;
A ludoteca que já não é...
A antiga escola primária de Ponte de Lima, belo edifício situado na Avenida António Feijó, foi recuperado para albergar uma ludoteca, estrutura destinada às crianças do concelho, que funcionaria em articulação com as escolas, servindo-lhes também como centro de recursos.
Após a conclusão da obra, tem-se verificado que os seus objectivos iniciais estão a ser desvirtuados e, parecendo que o projecto da ludoteca estará definitivamenmte abandonado. No espaço estão já instalados o Projecto de Prevenção Primária das Toxicodependências, a Casa de Iniciativa Local e, mais recentemente, o Espaço Internet.
Será que as opções e as decisões da Cãmara Municipal devem ser, como são, arbitrárias? Não seria mais correcto anunciar pelo menos as mudanças de planos, já que era dado como adquirido que Ponte de Lima ia ter uma ludoteca municipal?

terça-feira, janeiro 20, 2004

Ainda não consegui entender o objectivo daquele edifício - de estética duvidosa - que está a ser construído junto ao novo Arquivo Municipal. O que sabemos é que a santa Casa da Misericórida vendeu aqueles terrenos à autarquia para a reconstituição do escadório que ligava o Largo da Lapa à zona ribeirinha da vila.

quarta-feira, janeiro 14, 2004


O Cartoon de António, publicado no Expresso de sábado passado, é chocante.

terça-feira, janeiro 13, 2004

VOTOS PARA 2004
(continuação)


Para o Alto Minho:

- Que o Minho inteiro se une em torno do Pacto para o Desenvolvimento do Minho, sob os auspícios da Universidade do Minho;

- Que o Alto Minho converja no sentido de uma só Comunidade Urbana;

- Que os investimentos na região cresçam;

- Que os níveis de empregabilidade sejam cada vez mais elevados;

- Que o IC1 avance, ultrapassando polémicas, aproveitamentos políticos e as questões ambientais, para benefício de toda a região e dos largos milhares de pessoas que, em pleno séc. XXI ainda têm que atravessar a maior cidade do distrito para chegarem do Porto à fronteira de Valença;

- Que seja garantida a continuação do IC1 até Valença e uma ligação rápida de Pardes de Coura à auto-estrada A3;

- Que o distrito de Viana do Castelo deixe de ser palco de lutas político-partidárias quando está em causa o seu desenvolvimento e a convergência com outras regiões do País, e que se constitua como um espaço de confluência de ideias e energias para um objectivo comum;

- Que exista mais sensibilidade para o ambiente, a grande riqueza do Alto Minho, que devemos a todo o custo preservar;

- Que exista discriminação positiva para os Alto Minho, no que diz respeito à possibilidade de implementação de portagens no IC1 e IP9.



Um bom e próspero ano para todos.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

VOTOS PARA 2004

O arranque de um novo ano marca o renovar das esperanças e energias para enfrentar os desafios que se nos apresentam pela frente. O simbolismo das uvas passas atravessa nesse momento toda a sociedade, sendo o instante em que são formulados os votos para o ano que começa. Sem qualquer pretensiosismo, antes numa perspectiva de contribuir para a construção de um futuro melhor e mais próspero para o nosso país e para a nossa região, vou aqui enumerar aqueles que sãos os meus votos para 2004 em três grandes frentes: o Mundo, o País, o Alto Minho. Lamento o facto das doze passas não serem suficientes para tantos desejos. Fica a consciência mas também a consolação de que se não forem todos cumpridos em 2004, pelo menos que 2005 traga a realização plena destes desejos, aí já legitimados por mais doze passas correspondentes a mais um novo ano.

Para o Mundo:

- Que a Paz seja mais e melhor Paz e que a guerra seja remetida a um canto da história ;

- Que a fome e a miséria possam de facto ser combatidas e consideradas como uma prioridade para trilhar verdadeiros caminhos de Paz;

- Que o ambiente, o tratamento da nossa casa comum que é o planeta Terra, seja a luz que guia as políticas de todos os líderes, em detrimento do famigerado capital que tantos prejuízos tem causado à qualidade de vida e às perspectivas de sobrevivência da própria espécie humana.

Para Portugal:

- Que a retoma económica seja uma realidade, e que tenha reflexos na confiança e na qualidade de vida dos portugueses; que traga também a clarividência e sentido de responsabilidade necessários para que outra situação como a que ainda estamos a viver não se volte a repetir;

- Que as contas públicas sejam definitivamente consolidadas, e façam com que Portugal parta para um novo ciclo de desenvolvimento (desejavelmente sustentado) e convergência com os nossos parceiros comunitários;

- Que a paz social regresse ao país e que todos, sem excepção, sejam parceiros no seu progresso;

- Que os elementos da GNR em missão no Iraque regressem a Portugal;

- Que o Euro 2004 seja um verdadeiro sucesso e que a selecção nacional tenha uma participação coroada de êxito;

- Que Portugal ganhe uma ou mais medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas;

- Que as polémicas em torno da arbitragem do futebol português tenham o seu epílogo, em nome do espectáculo e da verdade desportiva;

(continua)

sexta-feira, janeiro 09, 2004

BONS VENTOS?

O pólo industrial da Gemieira está a meio gás (estou a ser benévolo), mas na Assembleia Municipal de Dezembro, o Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima anunciou novos e grandes investimentos prestes a serem concretizados, e que farão com que Ponte de Lima "não tenha capacidade de resposta ao nível da mão-de-obra necessária. Para que conste e sejam lembrados no futuro, são os seguintes:
1. Fábrica de Fornelos (recentemente desactivada) vai ser novamente ocupada, desta vez pela empresa Dalphi Metal, que possui também uma unidade no pólo da Gemieira;
2. Quatro empresas norte-americanas estão à espera (há mais de um ano) da apreciação e aprovação dos projectos de investimento e apoios por parte do ICEP e API, para se instalarem em Ponte de Lima;
3. Está em vias de ser fechado um acordo com uma empresa da área tecnológica (informática) que empregará mais de 150 técnicos, a maior parte deles engenheiros;
4. Está fechado um contrato para instação de uma unidade industrial no pólo da Queijada que brevemente começará a ser construído.

Para aqueles que queiram investir em Ponte de Lima a Câmara Municipal poderá conceder facilidades ao nível dos terrenos e pagamentos (não cobra taxas), além das condições naturais e construídas do concelho, onde se contam a mão-de-obra e as acessibilidades.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

QUEIXAS

As queixas relativas à EDP adensam-se em Ponte de Lima e, julgo eu, um pouco por toda a parte. São os atrasos nos diversos serviços,é a iluminação pública, é a capacidade de resposta. Para quem se está a preparar para a liberalização do mercado do sector eléctico, os indícios não são nada positivos.

terça-feira, janeiro 06, 2004

BOA NOTÍCIA

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, anunciou na Assembleia Municipal de Dezembro que a desactivada fábrica de calçado de Fornelos iria ter um novo inquilino, nada mais nada menos do que a Dalphi Metal, com uma unidade a laborar no polo industrial da Gemieira. desta forma, o Presidente da C. M. vê concretizado aquele que era o seu desejo, ou seja, ver uma nova empresa a funcionar nas instalações daquele que foi em tempos o maior empregador do concelho de Ponte de Lima. Sem dúvida, uma boa notícia a anteceder o Natal e que permitirá a criação de mais algumas dezenas de postos de trabalho em Ponte de Lima.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Votos

Que 2004 seja um ano positivo, que traga a concretização de muitos desejos e anseios, que traga sobretudo saúde para que possamos trabalhar em prol deles.

A época festiva esteve bastante iluminada e decorada em Ponte de Lima. A ideia de potenciar a original iluminação do Largo de Camões e Passeio 25 de Abril, instalada nas Feiras Novas, é muito positiva. Os presépios de escolas do concelho deram uma abrangência e origininalidade ainda maior ao Natal limiano. Nota negativa teve o movimento comercial. A vila, comercialmente falando, está a definhar. Dos responsáveis nem uma palavra, ou melhor, apenas os sinais do oásis que deve ser a Associação Empresarial de Ponte de Lima onde tudo parece correr bem, a julgar pelas recentes declarações do seu presidente a um órgão de comunicação local.

"Os Limianos" já negociaram e liquidaram praticamente 50% da dívida herdada. Excelente desempenho em tão poucos meses de exercícoo de funções da Comissão Administrativa comandada por Tito de Morais. No campo desportivo as coisas não andam tão bem. Mas esse não é o objectivo principal e a confiança nos jovens limianos mantém-se pois, como todos esperamos, as coisas vão melhorar em 2004.

Jacinto Fiúza, um jovem limiano que corre pela Ass. dadores de Sangue da Maia, mas que começou a sua carreira no Batotas, foi campeão regional de Cross Country (uma variante do BTT) da Associação de Ciclismo do Minho. Mais um campeão para Ponte de Lima!

quarta-feira, dezembro 31, 2003

MUDANÇA DE PARADÍGMA
(Conclusão)

O que se passa é que o desenvolvimento estratégico do concelho falhou. E falhou sobretudo na captação de investimentos, motor de qualquer economia, que levassem à criação de postos de trabalho que, por sua vez, aumentariam o consumo dentro do próprio concelho. Os equipamentos até agora construídos, salvaguardando as virtualidades da maioria deles, são altamente deficitários, onerando muito a despesa corrente municipal pois falham rotundamente na promoção da comparticipação dos seus custos de manutenção.; a atractividade é cada vez mais reduzida, com a consequente perda da quantidade e qualidade dos turistas que nos procuram; o desenvolvimento das acessibilidades em Ponte de Lima não foi aproveitado pois o importante eixo rodoviário em que nos situamos tem servido para que os limianos demandem outras paragens e outros mercados e não para atrair visitantes e consumidores de qualidade.
Julgo que é, pois, este o momento de repensar Ponte de Lima.
Em primeiro lugar aqueles que projectam e pensam Ponte de Lima têm que ser substituídos. Foram sempre os mesmos e sente-se hoje uma enorme necessidade de arejamento. Depois, somos demasiado pequenos para pensarmos sós, fechados sobre nós próprios. O futuro deve ser pensado e planificado com base em parcerias, em colaboração com outras autarquias e instituições. O Vale do Lima é pequeno, muito pequeno, não tem corpo, peso e massa crítica suficientes. Não concordo pois com a Comunidade Urbana do Vale do Lima, decidida unilateralmente pelos autarcas dos respectivos municípios. Veria com satisfação o seu alargamento a outros concelhos, sobretudo quando esses concelhos, como consequência da decisão dos autarcas do Vale do Lima, ficariam impedidos no seio da sua associação, de acederem a fundos provenientes da administração central. Contudo, nesta questão particular, dou o benefício da dúvida, sempre assente em dois importantes pressupostos: o primeiro, de que as portas da Comunidade Urbana nunca estarão fechadas a outros candidatos; o segundo por estar convicto que este nunca será um processo de regionalização, não passando a comunidade urbana de uma associação de municípios com mais competências e mais meios.
O mesmo não se pode dizer relativamente ao Pacto Para o Desenvolvimento do Minho, lançado e dinamizado pela Universidade do Minho, tantas vezes acusada de estar longe das populações, sobretudo das do distrito de Viana do Castelo. Esta é uma grande oportunidade, onde nada temos a perder e, com toda a certeza, muito a ganhar. Começou mal, concordo, mas os erros foram ultrapassados, estando reunidas as condições necessárias para vermos, termos e sentirmos o Minho unido como nunca esteve, em torno de um grande objectivo: a coesão e a correcção de assimetrias, projecto em que estarão envolvidas universidade e politécnicos, empresários, sindicatos e municípios. Só assim poderá ser delineado um rumo, uma estratégia que sirva também Ponte de Lima, uma ideia para toda uma região que não pode viver de costas voltadas. Só com coesão se pode defender o desenvolvimento, que tem que ser coerente, consistente e articulado. Só com novas ideias se poderão promover as condições de vida das populações, através do acesso à formação, emprego e cultura. Só com coesão poderemos transformar o Minho, como se pretende com o Pacto, num projecto-piloto de desenvolvimento, transformação e inovação.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

MUDANÇA DE PARADÍGMA
(Continuação)

A minha percepção é a de que há ainda muito a fazer mas, muito do que falta, enquadra-se no campo daquilo que considero ser essencial para o conforto e qualidade de vida das populações. E esta é uma questão central, porque leva-nos a concluir que, até hoje, se gastou muito dinheiro no acessório, deixando para segundo plano o que, teoricamente, seria mais importante. Faltou uma correcta avaliação e definição de prioridades. E de nada serve dizer que ainda se vai fazer muito até 2006 porque estas deviam ser as prioridades absolutas desde a primeira hora, já lá vão mais de dez anos. Sendo certo que “mais vale tarde que nunca”, também não podemos esquecer que “quem espera desespera”.
E de que falamos concretamente?
Do abastecimento de água e saneamento, em que estamos longe, muito longe, das necessidades e metas definidas e dos níveis de outros concelhos vizinhos. Ainda hoje o progresso nesta área é lento. Continuando no mesmo contexto, a ETAR existente continua a funcionar de forma deficiente e não tem capacidade para tratar a quantidade de efluentes que até ela chegam; a montante de Ponte de Lima, e das suas captações de água, existem diversas descargas directas no Rio Lima; ETAR do Pólo Industrial da Gemieira ainda não funciona; a praia fluvial do Arnado (que parece que já não é) parece ter sido abandonada; o Rio Labruja traz-nos frequentemente #grandes surpresas”; na educação, o Primeiro Ciclo do Ensino Básico continua alegremente sem acção social escolar, num concelho onde existem famílias com grandes carências; só agora se fala em Centros Escolares, quando temos uma rede demasiado extensa, sem articulação, o que lhe retira qualidade e eficácia; o desporto continua a ser o parente pobre do município, nunca motivado para uma área essencial quando se fala de qualidade de vida; o turismo, a potenciação, preservação do enorme manancial ambiental e patrimonial do concelho têm sido secundarizados e as consequências são bem visíveis: o domingo em Ponte de Lima é o melhor painel ilustrativo da decadência do sector. Não podemos apregoar qualidade e praticar a mediocridade; o desenvolvimento do concelho foi sempre operacionalizado a duas velocidades: a velocidade da sede do concelho e a das restantes 50 freguesias. Foi uma Presidente de Junta eleita nas listas do mesmo movimento do Presidente da Câmara Municipal que o disse na comunicação social: “Há cinco anos e meio na presidência e falta fazer quase tudo. Só pensa (o P. C.) em fixar o dinheiro na vila e esquece as aldeias, sobretudo as que ficam mais longe da sede do concelho”
(Continua)

sábado, dezembro 27, 2003

Intervenção efectuada na Assembleia Municipal de Setembro de 2003. Para que conste...

MUDANÇA DE PARADÍGMA

Os dias correm melancolicamente em Ponte de Lima, vila sempre bela e aprazível mas, essa melancolia tem um efeito anestésico sobre os próprios limianos, que começam a ter dificuldade em reflectirem sobre si próprios, sobre a sua vila e concelho, sobre o que de bom temos e foi feito, mas também, o que não foi feito e o que falhou no projecto para Ponte de Lima actualmente em vigor e que já foi iniciado há largos anos.
Espero, neste curto espaço que me é concedido, dar um pequeno contributo para essa reflexão, uma reflexão pragmática e objectiva, não influenciada pelo bucolismo que tanto inebriou os nossos poetas.
Ponte de Lima mudou muito nos últimos vinte anos. Mesmo muito, atrevo-me a dizer. Quase sempre para melhor e ainda bem que assim foi já que os meios de que dispuseram os nossos responsáveis políticos foram muitos, tantos que nunca mais chegarão a ser tantos como aqueles que já foram até hoje gastos. A oportunidade criada pela adesão à União Europeia e pelos fundos comunitários que chegaram entretanto a Portugal, não se repetirá após 2006. É precisamente por isso que, a pouco mais de dois anos do encerramento do III Quadro Comunitário de Apoio (2001/2006), quando as verbas disponibilizadas já estão gastas ou afectas a projectos concretos, que me proponho fazer uma análise ao passado, projectando o futuro.

(Continua)

terça-feira, dezembro 23, 2003

BOAS FESTAS

Um Feliz Natal e um ano 2004 que vá de encontro aos desejos de todos os que digam visitar este modesto espaço de reflexão, são os votos sinceros do PPP "Parar Para Pensar".

segunda-feira, dezembro 22, 2003

O avanço da Valimar e a fuga do PS

Se dúvidas havia relativamente à posição política do PS relativamente à constituição das comunidades urbanas, todas elas ficaram dissipadas na passada sexta-feira. As assembleias municipais aprovaram a adesão dos municípios de Caminha, Ponte de Lima e, estranhamente, o PS abandonou as respectivas salas, virando a cara à luta e às suas convicções, se é que existiam, deixando que tudo acontecesse na maior das normalidades. Foi uma posição estranha e incompreensível. Estranha porque todos pensavam que o PS teria uma palavra importante a dizer ao distrito, relativamente ao futuro, ou seja, como vai ser a coabitação entre as duas comunidades previstas e que esperanças restarão quanto a uma hipotética fusão, repondo a unidade do distrito que todos desejamos. Mas não. Apoiando-se num expediente burocrático abandonaram, invocando atitudes anti-democráticas mas exercendo a mais punitiva atitude que pode existir: virar as costas à luta, fingindo que nada acontece e deixar correr...

Agora temos uma comunidade urbana forte, com dinâmica reconhecida no vale do Lima e frente atlântica, ficando uma comunidade debil no vale do Minho, sem acesso a fundos do orçamento de Estado, com dinâmicas inferiores e politicamente fragilizada. O que agora se pode esperar é que a luz desça rapidamente sobre as cabeças dos políticos regionais, no sentido de se abstrairem de guerrilhas pessoais e partidárias, enveredando por um caminho de entendimento que só pode levar aos interesses das populações e do desenvolvimento.

Só com um distrito unido, a partir da Valimar, se poderá agora pensar em projectos que estão partidos pela política mas que beneficiarão todo o distrito. Estão neste caso o IC1 até Valença, a via trnsversal até Paredes de Coura, o próprio Centro de Estágios de Melgaço, que só será viável se for assumido como uma mais valia de todo o distrito e não apenas do concelho em que está implantado.

sábado, dezembro 20, 2003

A BOLA ESTÁ DO LADO DO VALE DO MINHO (Conclusão)

Embora seja evidente que não assiste o direito aos municípios do Vale do Lima de condicionar ou limitar o espaço de manobra aos do Vale do Minho, sobretudo quando lhes retira o direito de acederem a fundos nacionais para os projectos da comunidade, só disponibilizados às comunidades urbanas e áreas metropolitanas, os próprios municípios socialistas do Vale do Minho não têm o direito de se auto-privarem dessa possibilidade, eventualmente inviabilizando projectos intermunicipais passíveis de serem financiados através do Orçamento de Estado, em claro prejuízo das suas próprias populações, dos seus próprios eleitores. Nesta perspectiva, não pode ser censurada a decisão e a opção da Câmara Municipal de Caminha quando entendeu romper a colaboração de largos anos com o Vale do Minho e aderir à Valimar. Foi a defesa dos interesses do concelho e das suas populações que, com toda a certeza, esteve na base da sua decisão.
O que se pode esperar agora é que o futuro seja mais feliz para o Alto Minho. Que ao movimento da Valimar adiram também os municípios socialistas do Vale do Minho, seguindo o exemplo da Câmara Municipal de Caminha. Em primeiro lugar porque a sua presença é importante para garantir peso político, institucional, populacional e espacial à comunidade urbana. Depois porque todos queremos um distrito de Viana do Castelo unido, com objectivos e interesses comuns, apoiado pelo grande reforço que significou a adesão de Esposende. A bola está claramente do lado do Vale do Minho.

terça-feira, dezembro 16, 2003

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA

Na sexta-feira, dia 19 de Dezembro realiza-se a Assembleia Municipal de Ponte de Lima, onde serão discutidas as Opções do Plano e Orçamento para 2004, além da adesão de Ponte de Lima à Valimar. Prevê-se uma A.M. de espírito natalício, sem grandes polémicas, marcada pois pela cordialidade e confluência de posições. Está tudo calmo em Ponte de Lima. Infelizmente para o concelho, demasiado calmo...

quarta-feira, dezembro 10, 2003

A BOLA ESTÁ DO LADO DO VALE DO MINHO (1ª Parte)

O processo de definição das comunidades a implementar no Alto Minho foi longo, muito discutido, polémico e com um desenlace final que a poucos agradará. O resultado será o da constituição de “contra-comunidades, dado o seu carácter marcadamente oposicionista e não comunidades no verdadeiro sentido da palavra, com anseios e projectos comuns. Apesar de não constituírem um processo de regionalização, pois, entre outras razões, os seus poderes são limitados e os seus órgãos não são escolhidos por sufrágio universal, as comunidades urbanas deveriam configurar um espaço de coesão, com objectivos e interesses comuns, com identidade histórica, cultural, patrimonial e regional, com peso e poder reivindicativo. Do ponto de vista dos princípios, o Alto Minho era, sem qualquer dúvida, uma comunidade urbana natural, de contornos pacíficos e, acima de tudo, necessária. Infelizmente tal não foi, até ao momento, possível. E não foi possível porque, tanto da parte do Vale do Lima como do Vale do Minho o calculismo e o jogo táctico imperaram. Senão vejamos. Quando o Vale do Minho apela à constituição de uma comunidade urbana para o Alto Minho, o Vale do Lima avança com uma comunidade urbana a quatro; A Valima declara que as portas da sua comunidade estão abertas a todos aqueles que solicitarem a adesão e o Vale do Minho avança para uma comunidade intermunicipal; Esposende e Caminha declaram a sua vontade de adesão à futura Valimar e os municípios do Vale do Minho mantém a comunidade intermunicipal, além de constituírem uma comunidade de colaboração transfronteiriça. Este jogo de parada e resposta, leva-nos a tirar as seguintes ilações e conclusões:
Os municípios do Vale do Lima, com o seu peso populacional e a continuidade geográfica estavam em condições de constituir uma comunidade urbana (ao contrário do Vale do Minho) e avançaram decididamente para o processo de constituição da Comurb; os municípios socialistas do Vale do Minho nunca se mostraram interessados em aderirem ao movimento liderado pela Valima, facto que, com as devidas ressalvas, a partir de um determinado momento entra em contradição com as suas próprias intenções e propostas, comprometendo então definitivamente aquilo que inicialmente defenderam: a comunidade urbana do Alto Minho; o Vale do Lima é acusado de pretender controlar ou condicionar o controlo da comunidade urbana, mas parece evidente que esse é, e sempre foi, também o objectivo do Vale do Minho; a adesão de Esposende e Caminha ao movimento dos municípios do Vale do Lima, constituindo a Valimar, reforçou e consolidou esse movimento e enfraqueceu ainda mais o do Vale do Minho.
O Jornal de Notícias de hoje inclui uma peça sobre os pólos industriais do Alto Minho. A localização estratégica da região, aliada às atractivas condições fornecidas aos potenciais investidores, são aspectos que levaram a um aumento de empresas aí instaladas, com a consequente criação de postos de trabalho. Ponte de Lima, que acordou tarde para esta realidade, tem já em funcionamento um pólo industrial, na freguesia de Gemieira. Pelos dados revelados, a sua taxa de ocupação ainda está muito aquém do esperado e da própria capacidade do pólo industrial. Falta de estratégia? Falta de empenho? Falta de investidores? Respostas, precisam-se.

Abriu o "Shoping Estação" em Viana do Castelo. Mais um grande desafio para o comércio limiano. Já era vulgar ver os limianos a demandarem Braga ou o Porto para efectuarem as suas compras. Agora a oferta alargou a Viana. Que desafios levanta esta e outras grandes superfícies comerciais ao comércio limiano, grande suporte da economia local? que estratégias para o futuro? é necessário optar pela concorrência directa ou pela alternativa?
Estas são questões que merecem resposta, que merecem o empenho da Associação Empresarial. Não basta ter o pai Natal a percorrer as ruas da vila, é necessário estudar, prever o futuro, perspectivar a próxima década. É disso que o comércio está à espera, de uma luz que o ilumine e que, evidentemente, também está a faltar nesta época natalícia.
E, já agora, será que a via proteccionista protagonizada pela Câmara Municipal e Associação Empresarial, que tem impedido a instalação de uma grande superfície em Ponte de Lima, ainda mantém a sua posição?

sábado, dezembro 06, 2003

PROCURANDO DESEPERADAMENTE O FUTURO…

O Portugal da guerrilha política permanente, onde nada parece ser consensual, onde é possível que apenas o governo entenda como prioritário um determinado rumo, imediatamente contestado e minado por toda a oposição; onde os cidadãos assistem a horas e horas de retórica durante as quais são permanentemente citados mas nunca lembrados. O Portugal do quanto pior melhor não me agrada porque a educação é prioritária e decisiva mas não gera consensos; a saúde é prioritária e decisiva mas não gera consensos; a segurança social é prioritária e decisiva e mas não gera consensos; a cultura e a investigação científica são prioritárias e decisivas mas não geram consensos…
Este é um sentimento difícil de transmitir e muito mais difícil de entender. Até ao momento em que tive a felicidade de ler o Editorial do “Diário Económico” de 11 de Novembro de 2003, saído da pena de Miguel Coutinho, intitulado “Falta de Espelho – Duas notas sobre o país que somos”, que não resisto a transcrever na íntegra.

“A primeira: Portugal é o único país da União Europeia com uma percentagem de licenciados inferior à média dos países do alargamento.
A segunda: apenas 19% dos portugueses concluiu o ensino secundário, enquanto que essa taxa de escolaridade nos países candidatos à adesão à União Europeia atinge uma média de 77% da população.
Não valerá a pena repetir que, além de mais qualificada, a mão-de-obra destes países é mais barata, mais disponível e a legislação laboral em vigor é mais flexível, em comparação com a realidade portuguesa.
Só para dar um exemplo, o preço do trabalho ao sábado e ao domingo é, em média, três a quatro vezes superior em Portugal do que na maioria dos países do alargamento.
Com a chegada destas economias ao espaço da União Europeia, a ameaça torna-se clara: ou Portugal assume, num consenso alargado aos partidos, aos sindicatos, aos empresários e à restante sociedade civil, o desafio de mudança ou o investimento estrangeiro - o que ainda nos resta - desloca-se de armas e bagagens para estes países.
Esse desafio de andar depressa, sem preconceitos ideológicos nem egoísmos corporativos, parece, porém, condenado à partida.
O problema de Portugal é, desgraçadamente, o da falta de espelho.
Em que país se imaginam as associações de comerciantes que consideram insultuoso o anúncio do Ministério das Finanças que aconselha os consumidores a exigirem facturas? Em que ficção vivem os estudantes que invadem as ruas, manifestando-se alegremente contra o aumento das propinas? Em que realidade virtual flutuam os sindicatos quando acusam o Governo de querer «acabar com a função pública» por propor medidas de avaliação de desempenho? A falta de espelho legitima a sobrevivência de um país acomodado, anafado, que vive acima das suas possibilidades e desfoca, deliberadamente, a realidade.
O país que se levanta contra as propinas, contra as facturas, contra a avaliação de desempenho na função pública não só é avesso, como detesta a mudança. É o país do contra, pequenino, parado no tempo, indiferente aos sinais do mundo. Congrega, numa frente imobilista e cristalizada, a cobardia partidária, a aristocracia sindical e o egoísmo corporativo.
É um país inculto que atravessa os partidos, os sindicatos, os empresários e boa parte da sociedade civil - e que, do ponto de vista político, faz a síntese entre a pobreza envergonhada do salazarismo e as conquistas revolucionárias do PREC.
É um país sem razão de ser. E que precisa, com urgência, de um espelho. Na pior das hipóteses, morrerá de susto. Na melhor, acordará de um longo sono e de um sonho sem futuro”.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Finalmente, a água e o saneamento
Depois de muita discussão e reivindicação, muitos anos após o momento em que o dever, a responsabilidade política, a necessidade da população assim o determinavam, eis que a Câmara Municipal de Ponte de Lima decide avançar, em força, para as obras de abastecimento de ágfua e saneamento no concelho. Finalmente, tarde, muito tarde, a luz desceu sobre os Paços do concelho. E não foi a Empresa de Águas do Minho e Lima que avançou, como sempre defendeu o Presidente do Município. Foi a Câmara Municipal, como sempre reclamou a oposição. O autismo penalizou os limianos durante muitos anos e é apenas no limite, balizado em 2006 pelo final do Quadro Comunitário de Apoio, que as populações vão ter aquilo que necessitam e merecem há já largos anos.
Mais vale tarde do que nunca.
Não é dos nossos tempos existirem zonas habitacionais em plena zona urbana sem saneamento básico; não é dos nossos tempos existirem ainda muitos limianos sem abastecimento de água da rede pública, com todas as implicações que daí advêem; não é dos nossos tempos núcleos habitacionais de forte intensidade ainda serem servidos por fossas, muitas vezes perigosamente perto de poços ou furos; não é do nosso tempo uma política municipal que começa a construir o edifício pelo telhado, ignorando os alicerces, a base que incide sobre o conforto e a qualidade de vida das populações.

João Marcos homenageado
O poeta João Marcos foi homenageado pela Câmara Municipal na passagem do seu 90º aniversário. Um gesto bonito e louvável, o reconhecimento de uma vida dedicada às letras, numa terra que é berço de grandes poetas e Homens de letras. É tão bom reconhecer como estar do lado dessas Mulheres e Homens durante toda a sua vida e carreira.

quinta-feira, novembro 27, 2003

O "Nosso" Boletim Municipal, os "Bons" e os "Maus"

Saiu mais um número do Boletim Municipal "Ponte de Lima", com o habitual cuidado gráfico e conteúdo pautado pela leveza (da distribuição da informação). Esta leveza é fortemente sacudida logo no editorial, da responsabilidade do director da publicação, o Eng. Daniel Campelo, no qual se refere à aprovação do PDM e à orientação de voto e comportamento da oposição.
É evidente que o Sr. Presidente da Câmara não gosta de votos contrários ao seu. Compreende-se. E que adora a unanimidade. Quem não gosta? O que não pode fazer de forma alguma é zurzir e fazer juizos de valor sobre a opinião dos seus opositores políticos. O que seria das reuniões do executivo e da assembleia municipal se tal acontecesse sistematicamente?
Havia razões para votar contra o PDM. Não tenho qualquer dúvida. Como plano de desenvolvimento que é, estava coxo, faltava-lhe muito para atingir os objectivos mínimos. Esqueceu o ordenamento ao nível dos equipamentos desportivos, sociais, recretaivos e culturais. Não foi escrita uma só linha sobre o ordenamento da rede educativa. Faltou visão de futuro ao projectar os próximos dez anos, mesmo ao nível das vias de comunicação estruturantes para o concelho. Pena foi que a discussão do documento se circunscrevesse à área de construção. Foi redutora e incidiu no ponto em que este PDM mais evoluiu em relação ao anterior: a área de construção autorizada.
O que ficou por dizer ao Sr. Presidente da Câmara foi se aceitaria alguma alteração ao PDM na Assembleia Municipal, se permitiria alterar o documento que propôs para votação final, obrigando-o a fazer novo périplo pelas inúmeras entidades que o acompanham. Sinceramente penso que não o faria, como não o fez à maioria das reclamações redigidas durante o período de discussão pública.
É a habitual retórica do discurso populista e demagógico que já estamos habituados a ouvir dos Paços do Concelho de Ponte de Lima.
Ainda do editorial uma dúvida nos assalta. A dado ponto é referido o seguinte: "Que dizer do agente político que se diz defensor do Meio Ambiente e Ordenamento do Território e que quer ao mesmo tempo defender a construção de prédios na Reserva Ecológica e na Rede Natura?". A bem da elevação do discurso político, dos políticos e das instituições, seria bom que das insinuações o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima passasse a referir os nomes dos visados para que, pelo menos, estes tenham direito à defesa e ao contraditório.
Por fim uma declaração.
Sr. Eng. Daniel Campelo:
Votei contra o PDM porque entendo não ser o ideal para Ponte de Lima. O ideal para um desenvolvimento harmonioso do concelho, capaz de potenciar Ponte de Lima para níveis de desenvolvimento consentâneos com as aspirações e capacidade dos limianos. A melhoria da qualidade de vida e das condições económicas dos limianos falhou e grande parte desse falhanço teve como protagonista V. Exa. Por isso deixei de acreditar na sua política e na sua estratégia de desenvolvimento para Ponte de Lima. Não era um PDM elaborado sob o comando de V. Exa. que tudo iria mudar. Por isso, não me revejo na perspectiva maniqueista de V. Exa. ao tentar colocar do lado dos "bons" aqueles que aprovaram o PDM, e do lado dos maus aqueles que votaram contra. Se o futuro for parecido com o passado, não seremos nem bons nem maus, mas simplesmente vítimas da sua política.

domingo, novembro 23, 2003

Descida ao Sarrabulho
Uma verdadeira invasão de bicicletas todo-o-terreno, foi ao que os limianos puderam assistir no sábado, dia 22 de Novembro. A III edição da "Descida ao Sarrabulho", organizada pelo Batotas - Clube de Desportos Radicais de Ponte de Lima foi a mais concorrida e espectacular de sempre, atraindo até ao concelho cerca de duzentos e cinquenta amantes do BTT, oriundos de todo o País.
Apesar da véspera ter dissuadido muitos particpantes devido ao mau tempo, o dia da descida esteve risonho e convidativo a uma alargada participação, propiciando também a possibilidade a muitos aficionados de visionarem as partes mais interessantes e espectaculares do percurso, que tinha o seu início na freguesia da Boalhosa e terminava junto à ponte românica no areal do Rio Lima, após cerca de 22 Km de alucinante descida.
A organização proporcionou aos inscritos transporte até ao local da partida, uma lembrança bem ao jeito da região e um excelente arroz de sarrabulho, servido num restaurante da vila de Ponte de Lima.
Os Batotas estão da parabéns pela excelente organização, capacidade de mobilização e pela promoção que fizeram de Ponte de Lima, das suas extraordinárias condições naturais para a prática do BTT e do seu grande embaizador, o arroz de sarrabulho.

sexta-feira, novembro 21, 2003

Aplauso no meio de assobios

Em Ponte de Lima existe uma forte tendência para o assobio. Assobia-se por tudo e por nada. Quando se faz alguma coisa, assobia-se, com veemência e peito cheio, porque não se devia fazer ou, pelo menos, se devia fazer doutra forma. Quando às vezes se faz mal, assobia-se para o ar, fazendo de conta que não se vê. Na autarquia está, e de uma forma geral sempre esteve, gente inteligente e sensível às reacções populares. Por isso, tudo o que for polémico, ou possa gerar polémica, tudo o que contrarie o "status", tudo o que possa causar incómodos no lento passar das horas limianas, pura e simplesmente não é feito.
Por isso, não era de esperar tamanha reacção à instalação no Largo de Camões de duas milenares oliveiras vindas da alentejana Serpa. Não era de esperar porque, caso contrário, ficariam à espera de um outro dono. Os assobios foram fortes, mesmo estridentes.
Pela parte que me toca, acho a ideia interessante - plantar árvores em canteiros que nunca o foram nem mereceram o respeito dos transeuntes, benéfica - o Largo de Camões necessitava de árvores e sombras, mas em locais que não pusessem em causa a estética do local, e com valor patrimonial - numa vila património, nada melhor do que árvores com história. Por isso, sem querer contrariar os assobios, aqui vai o meu aplauso.

quarta-feira, novembro 12, 2003

Impressões...

"Os Limianos" estão bem vivos. A festa do 50º aniversário reuniu largas dezenas de simpatizantes, dirigentes, antigos dirigentes, atletas e ex-atletas. Foi um momento marcante o reecontro daqueles que fizeram a história do maior clube desportivo do concelho de Ponte de Lima com aqueles que são o presente e o futuro do nosso clube. Foi emocionante ver jogadores e dirigentes que fizeram a história e o imaginário dos adeptos limianos, afinal apesar da distância que os separou e da indiferença que de muitos de apoderou, eles formam uma grande família. No ar ficou a esperança de melhores dias, bem patente no entusiasmo como dirigentes e atletas (todos a custo zero) encaram o presente e o futuro. Todos eles são actores de primeira linha no esforço de recuperação económica da A. D. "Os Limianos", tanto pelo empenho que colocam no seu trabalho, como na forma graciosa e desinteressada como participam neste momento da vida do clube, que tem tanto de histórico como de conturbado.
O presente está garantido. Agora é necessário trabalhar para o futuro. Um futuro que deve passar pelos mais jovens, mais capazes e mais empenhados em preservar um dos maiores tesouros do concelho, que mais serviços prestou à comunidade e à imagem de Ponte de Lima; um futuro que deve passar pelo saneamento financeiro; um futuro que deve passar pela formação e pelos atletas de Ponte de Lima; um futuro que deve enveredar pela via da consolidação em detrimento dos resultados; um futuro que deve apostar no melhoramento e largamento das infraestruturas, designadamente um campo de treinos de apoio ao plantel sénior e futebol juvenil.
As cores de "Os Limianos" são hoje cores de esperança e as três centenas que estiveram no jantar de aniversários devem ter um efeito reprodutor, com expressão pública em cada um dos jogos que se realizarem no Campo do Cruzeiro.

Finalmente vai ser concretizada a ligação Ponte de Lima - Vila Verde - Terras de Bouro. É uma grande notícia que apenas peca por chegar com algumas décadas de atraso. A visão das três autarquias envolvidadas é um factor positivo a registar, ficando provado que a parceria, a colaboração, a união entre autarquias é uma via com futuro, estruturante, e a única capaz de dar resposta às necessidades das populações. Esta é a essência da política, tantas vezes secundariza e mesmo esquecida. As pessoas...

quarta-feira, novembro 05, 2003

Transformar os Problemas em Desafios

A divulgação do PIDDAC regionalizado para o distrito de Viana do Castelo provocou uma onda de protestos devido às dotações definidas, com uma descida notória quando comparados com o ano anterior, os investimentos previstos para 2004. Também não gostei dos montantes definidos para o nosso distrito. Gostaria que fossem muito mais generosos e equilibradamente distribuídos pelos dez concelhos, mas também tenho a consciência de que, fossem quais fossem os montantes, teríamos sempre os partidos da oposição insatisfeitos e a reclamarem mais, e o partido que suporta o Governo a justificar os montantes inscritos como bons.
O que parece é que este “folclore Piddaquiano” cujo festival ocorre invariavelmente após o 15 de Outubro, tem um cheiro intenso a mofo e, na actual configuração, será com toda a certeza retomado no próximo ano, com os mesmos ou com outros protagonistas. Com a quantidade de instrumentos financeiros e programas disponíveis, directamente para as autarquias ou através da administração central, o PIDDAC não passa de algumas gotas no oceano, tornando-se completamente descabido e demagógico centrar qualquer discussão política, sobre os investimentos numa determinada região, nos montantes inscritos em PIDDAC. Se aos milhões do PIDDAC se juntarem, entre outros, os milhões do PRASD (nunca mais ninguém falou dele), os milhões da A27 ou IP9 que ligará Viana do Castelo a Ponte de Lima, os milhões do IC1 entre Viana do Castelo e Caminha, já teremos muitos mais milhões do que aqueles que, no passado, foram investidos anualmente em Viana do Castelo. É uma questão de justiça e de verdade. O que está mal, e não serve ninguém é o PIDDAC tal como nos é apresentado, por ser redutor e não fornecer uma ideia correcta e concreta dos investimentos efectivamente previstos.
O que é necessário para o futuro, e isto exige a participação e empenhamento de todos, é transformar os problemas do distrito em desafios, olhar para o futuro com visão estratégica e exigir, a uma só voz, cada vez mais investimento – mas investimento de qualidade e estruturante – mais necessário nas regiões periféricas e desfavorecidas. Estou convencido que, em 2004, o Alto Minho não ficará a perder mas é este o momento certo para exigir mais e melhor, ultrapassando a figura patética dos que choram sobre factos consumados e pouco ou nada fazem para abrir novos horizontes e romper com os bloqueios do passado. Mais do que conversa, charlatanismo ou requerimentos inócuos, o que Viana do Castelo necessita é de peso político junto de Lisboa. Falar a uma só voz é determinante, acabando com as “quintas” , os interesses particulares e as rivalidades pessoais que têm condicionado os interesses colectivos.
Se o Alto Minho fosse uno, nunca existiriam “Orçamentos do Queijo” de eficácia duvidosa; guerras pelo traçado de vias de comunicação estruturantes, pois seria fácil encontrar consensos e equilíbrios entre o interesse das populações locais e o interesse geral; divisões na constituição de associações de municípios porque a lógica regional que a todos nos une prevaleceria; reservas relativamente a projectos de grande alcance como o Pacto para o Desenvolvimento do Minho, porque a melhoria da qualidade de vida é um objectivo por todos ambicionado. Estas são questões vitais para todos aqueles que desejamos um futuro melhor para os nossos filhos. O umbiguismo e partidarite aguda reinantes são os maiores factores de depressão do Alto Minho.